A idéia de planificar o treinamento esportivo é tão antiga quanto o
próprio esporte. Mesmo que de forma rudimentar, a planificação esportiva já
existe desde os tempos da Grécia antiga. Planos de treinamento foram utilizados
nos Jogos Olímpicos da Antiguidade. Flavius Philostratus (170–245 a. C.) , em
seus ensaios, já fazia referência à utilização de algumas competições antes dos
grandes jogos e a períodos de recuperação ao término das competições (GARRETT
& KIRKENDALL, 2000; BOMPA, 2002) .
De lá pra cá planificar o treinamento esportivo tomou um significado tão
importante que há o consenso de que a estruturação„ do treinamento esportivo é
hoje uma das principais condições para a obtenção de resultados de alto nível
em qualquer modalidade, sendo que uma adequada estruturação não só elevam as
chances do excelente desempenho, como também pode assegurar a longevidade
esportiva do atleta (FORTEZA e RIBAS, 1988; BERGER e MINOS, 1990) .
O desenvolvimento da planificação esportiva, veio progredindo e
tornando–se mais sofisticado desde a antiguidade, culminando nos Jogos de 1936,
quando treinadores alemães utilizaram planejamento de 4 anos. Mesmo
considerados como os pioneiros KOTOV (1916); GORINEVSKI (1922); PINKALA (1930);
GRANTYN (1939); OZOLIN (1949); LETUNOV (1950); atribui–se ao professor russo
Lev Pavilovit Matveyev a paternidade de uma teoria científica, ainda discutida,
sobre a organização do treinamento esportivo.
Matveyev publicou em 1965 um modelo de estruturação do treinamento,
denominado de periodização. Para tanto, ele utilizou avaliações e análises
estatísticas do comportamento em atletas de diversas modalidades, baseando–se
nos ciclos de supercompensação do austríaco Hans Selye (Síndrome Geral de
Adaptação) com modificações do bioquímico desportivo russo Yakolev ( MATVEYEV,
1999; GARRETT & KIRKENDALL, 2000; BOMPA, 2002; FORTEZA, 2000) .
Periodização e Planejamento ou Planificação são conceitos diferentes.
Periodização é a estrutura temporal das variáveis intervenientes à performance,
seqüenciando e temporalizando as atividades de forma sistemática e progressiva.
O planejamento ou planificação é a atividade de integração global de todo o
processo e suas variáveis para a obtenção do rendimento e que, posteriormente
exigirá organização e programações mais detalhadas das tarefas direcionadas aos
objetivos. Com isso entendemos que a periodização está contida em um
planejamento (BADILLO & AYESTARáN, 2001; GAMBETTA, 1991) .
A ciência ainda não conseguiu estabelecer uma periodização ótima e
padrão para cada modalidade esportiva. Para enumerar alguns aspectos que
aumentam tal dificuldade podemos citar: 1 – as características individuais
(biológicas) de cada atleta, sobretudo nas capacidades fisiológicas e
psíquicas; 2 – o acesso a treinamentos e profissionais capacitados desde o
período de formação; 3 – diferenças regionais como o clima e; 4 – as diferentes
concepções de treinamento dos treinadores (BOMPA, 2002; FORTEZA, 2001) . No
entanto há vários modelos e concepções que nos servem como ponto de partida.
Portanto, idealizar e elaborar uma periodização não é tarefa fácil, requer
estudo, pesquisa e experiência.
Acho fundamental salientar que concordamos com FORTEZA, (2001 ) quando
ele diz que a preparação do jogador é o resultado das concepções e pensamentos
dos treinadores (técnicos e preparadores físicos), aos quais não devemos impor
dogmas metodológicos para guiar a sua planificação e periodização, uma vez que
quem conhece seu jogador, vivenciam suas limitações e possibilidades, são eles.
Toda a responsabilidade de estruturar, conceber e dirigir o sistema de
planificação e a aplicação das cargas de treinamento é inteiramente desses
treinadores.
Contudo, a planificação do treinamento deve estar o mais distanciado
possível da improvisação e do empirismo. Para tanto, técnicos e preparadores
físicos devem buscar na ciência conceitos e linhas diretivas que fundamentem
suas decisões e seus critérios, integrando seus conhecimentos em um sistema
estruturado e organizado, de modo a permanecerem perto da ciência e da tecnologia
atual.
De modo geral podemos definir a periodização esportiva como uma divisão
temporal, estruturada e organizada do treinamento, no intuito de preparar o
atleta, por meio do controle e ajuste das dinâmicas de cargas, a alcançar
certas metas estabelecidas a fim de obter resultados em determinados momentos
da temporada competitiva (FARLANE, 1986) .
São inúmeras as possibilidades de
estruturação do treinamento, por exemplo:
- Periodização do treinamento
– MATVEYEV
- Modelo de treinamento em
bloco – VERKHOSHANSKI
- Modelo integrador –
BONDARCHUK
- Modelo de cargas seletivas –
GOMES
- Estruturação Pendular –
AROSIEV e KALININ ; FORTEZA e GABERNA
- Esquema Estrutural de
Treinamento de Altos Rendimentos – TSCHIENE e FORTEZA